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MY MIND IS NOT A CAGE
exposição colectiva

Mariona Berenguer

Bárbara Bulhão
João Campolargo Teixeira
em co-autoria com Guilherme Sousa

Arturo Comas
Katherinne Fiedler
Tomaz Hipólito
Lemos + Lehmann
Maria Máximo
Tiago Rocha Costa
Maria Ana Vasco Costa

Curadoria:
Mercedes Cerón & Catarina Pedroso




12.02 __ 10.04.2026
© Bruno Lopes

 

MY MIND IS NOT A CAGE

O corpo que atravessa esta exposição não se fecha numa forma, nem se deixa capturar pela imagem. Tal como a mente evocada no título — My mind is not a cage —, o corpo aqui não é contenção, mas passagem. Não é limite, mas território aberto, permeável, em constante deslocamento. Um corpo que não se fixa, que se redefine na relação com o espaço, com o tempo e com aquilo que o atravessa. 

As obras reunidas são de onze artistas de geografias diferentes, cada um trazendo experiências, culturas e perspetivas distintas. Essa diversidade intensifica o corpo como território plural, atravessado por vozes, gestos e memórias que se cruzam e se respondem, oferecendo múltiplos modos de perceber, sentir e habitar. 

Num tempo que insiste no regresso da figura como promessa de reconhecimento e estabilidade, estas obras escolhem a recusa. Recusam o corpo como imagem estável, como identidade legível, como superfície de projeção. Em vez disso, deixam emergir um corpo feito de intensidades — fragmentado, expandido, por vezes ausente, por vezes excessivo. Um corpo que se aproxima do corpo sem órgãos de Deleuze e Guattari, onde a forma cede lugar ao fluxo e o sentido permanece em movimento. 

Vídeo, instalação, fotografia, escultura, desenho, som e práticas site-specific ativam o corpo para além dos seus limites físicos. O corpo dilata-se no espaço, infiltra-se na arquitetura, confunde-se com o tempo da experiência. Como sugeria Merleau-Ponty, a perceção nasce do corpo: vemos com ele, escutamos com a pele, habitamos o espaço como quem é habitado por ele. A experiência deixa de ser apenas visual e torna-se sensorial, envolvente, instável. 

O som torna-se matéria sensível, ocupando o lugar onde a imagem se desfaz ou se recusa. A escultura insiste no peso, na fricção e na resistência da matéria. A fotografia suspende o gesto, sem o fixar. O desenho aproxima-se do pensamento em movimento, do traço como hesitação e impulso. O site-specific convoca o lugar como extensão do corpo, lembrando que não há território neutro, nem corpo sem marcas, nem presença sem contexto. 

Este corpo-território é também político. Um corpo atravessado por normas, por histórias inscritas na pele e por dispositivos de controlo — como nos lembra Foucault —, mas também um corpo que resiste, que escapa, que se reinventa. Um corpo que não se fecha sobre si mesmo, que se mantém em negociação constante com o que o envolve, com o que o condiciona e com o que o transforma. 

My mind is not a cage ecoa, assim, como recusa do confinamento e como abertura à possibilidade. O corpo não é prisão, nem a mente é jaula. Ambos existem como territórios permeáveis, atravessados por forças, silêncios e afetos. Entre obra, espaço e quem atravessa, o corpo acontece — não como figura, mas como experiência viva, em contínuo devir. 

E, por um instante, o corpo torna-se brisa que atravessa o espaço, sombra que toca a parede, silêncio que se dobra sobre si mesmo, presença que escapa e se espalha, deixando um rastro que só pode ser sentido, nunca aprisionado. 

 

 

 

Mercedes Cerón, Janeiro 2026

Catarina Pedroso, co-curadora

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