STONE MEMORY: CASTLES OF SAND
exposição individual
QUIÑONES
10.09 __ 16.10.2026
Galeria NAVE, Lisboa (PT)
© Bruno Lopes
Stone Memory: Castles of Sand (Memoria de Pedra: Castelos de Areia) reúne um corpo de trabalho que toma como premissa conceptual a investigação das complexas tensões ontológicas entre matéria, memória e temporalidade. Ao fazê-lo, o artista convoca a prática artística contemporânea como um território de fricção permanente entre a crueza do perene e a fragilidade do efémero.
Articuladas a partir de um léxico formal profundamente moldado pela proximidade, pela observação e pela vivência íntima do mar, as obras de Quiñones operam uma desconstrução da capacidade da própria escultura para transmutar a experiência fenomenológica em permanência material. No cerne de toda esta proposta artística reside a reatualização e a subversão conceptual da técnica renascentista florentina da pietra dura. Através do embutido milimétrico, do corte cirúrgico e da mediação cromática de diferentes tipologias de mármores, travertinos e minerais semipreciosos, o artista anula a tradicional perceção de rigidez tectónica associada ao médium. Estabelece-se, assim, um agudo paradoxo visual e tátil: a densidade física e secular da pedra passa a mimetizar a natureza instável, fluida, erodível e fragmentária da recordação humana.
Os objetos esculpidos, destituídos da sua condição utilitária ou do seu valor de uso original, sofrem um processo de transfiguração poética, passando a funcionar como autênticos indexadores e contentores de tempo. Esta envolvência sensorial e conceptual é deliberadamente ampliada por um dispositivo expositivo minimalista, convocando a paisagem costeira não enquanto lugar geográfico ou pitoresco, mas sim como uma condição atmosférica e existencial da experiência percetiva do visitante.
O núcleo da exposição expande-se numa instalação central projetada especificamente para o espaço da galeria. Aqui, as obras escultóricas apresentadas sobre a areia, debruçam os conceitos da dureza e da sobreposição das camadas do tempo. Funcionam, assim, como uma reprodução de objetos que, pelo contraste entre a nobreza da pedra e a efemeridade do que evocam, abrem um hiato de reflexão sobre a vida enquanto lembrança e arqueologia emocional. No espaço expositivo, a obra permanece estática e silenciosa; no entanto, é precisamente a partir dessa imobilidade e dessa contenção mineral que tudo o resto acontece.
As esculturas operam como uma aparente chave universal que, perante o olhar de cada espetador, se transforma e se recria. Ao anular a rigidez do significado, Quiñones convida a uma experiência atenta e participativa: cada visitante traz consigo a sua própria biografia, o seu vocabulário emocional e o conjunto único de referências que determina aquilo que reconhece, recorda ou imagina. Entre a sedimentação e a erosão, entre a promessa de permanência e a inevitabilidade da transitoriedade, Stone Memory: Castles of Sand propõe uma reflexão poética sobre a escultura enquanto o lugar definitivo de inscrição do tempo.













