NAVE galeria
(0/1) O ZERO E O UM
Exposição Colectiva
Texto de Sofia Marçal


Arturo Comas
João Motta Guedes
Jon Gorospe
Martim Brion
Susana Rocha
Teresa Murta


MUHNAC
MUSEU NACIONAL DE HISTÓRIA NATURAL E DA CIÊNCIA

4.11 __ 4.12.2022
PHOTO Bruno Lopes
Apoio ARCALO

No princípio era o verbo, no princípio é a imaginação.

 

 

A exposição (0/1) o zero e o um, apresenta-se em vários locais do Museu Nacional de História Natural e da Ciência: no Átrio, no Anfiteatro do Laboratorio de Chimica, no Claustro, no Laboratório de Química Analítica e no Corredor da Geologia. O tema da exposição é baseado no livro, Atlas do corpo e da imaginação. Teoria, fragmentos e imagens de Gonçalo M. Tavares. “Digamos que, por mais possibilidades que a imaginação possa ter, o seu último lance é reduzir as infinitas possibilidades a duas e, de entre estas duas, por fim, escolher uma. Só assim a imaginação pode passar para o exterior, pois no exterior não há tempos duplos. Podemos fazer uma coisa e depois o seu oposto, mas não podemos ao mesmo tempo fazer uma coisa e o seu oposto.” [1] Aqui os artistas vão habitar o espaço com os seus trabalhos, trabalhos esses que contribuem para se ir fazendo um caminho como um percurso inacabado. “Marcar uma certa linha num certo instante não permita a previsão certeira do próximo passo.”[2]

 

Artistas com percursos e formação distintos, alguns trabalhos que se cruzam, outros que se completam e ainda outros que seguem caminhos paralelos, mas todos perseguem o conceito da materialização, da corporização. “Uma casa habitada deixa de ser um espaço para passar a ser aquilo que rodeia um corpo.”[3] Trabalhos artísticos que ocupam e se inscrevem neste espaço museológico e inexoravelmente apenas se concretizam quando a ideia, o conceito se materializa.

 

Citando a galerista Mercedes Cerón, promotora da exposição, “(0/1) o zero e o um, reflete sobre a imaginação e os conceitos de oposição, a arbitrariedade da interpretação e sobre a qual, a imaginação se foca através da representação da realidade ou dos objetos e não da coisa em si. A variedade de enunciados, reproduzindo metáforas multiplicando as possibilidades de verdade – uma espécie de ciência momentânea.”

 

A narrativa visual e estética não acaba enquanto a sua idealização e imaginação deixar de se materializar .“Nem a matéria, nem o espaço, nem o tempo são desde há vinte anos o que foram até então. É de esperar que tão grandes inovações modifiquem toda a técnica das artes, agindo, desse modo, sobre a própria invenção, chegando talvez mesmo a modificar a própria noção de arte em termos mágicos.”[4]. No princípio era o verbo, no princípio é a imaginação.

 

 

 

Sofia Marçal, novembro 2022

 

[1] Gonçalo M. Tavares, in: Atlas do corpo e da imaginação. Teoria, fragmentos e imagens de, p.395.

[2] Ob. cit, Gonçalo M. Tavares, p.31.

[3] Ob. cit, Gonçalo M. Tavares, p.414.

[4] Walter Benjamim, in: A Obra de Arte na era da sua reprodutibilidade técnica, p.1.