O ALVORECER DAS CONVERSAS, Arturo Álvarez

28.11.2019 __ 18.1.2020

Light and things belong together and every place has its light.

The sky is the origin of light and the earth its manifesto on.

Always the same and always different, light reveals what is.

Christian Norberg-Schulz

A luz permite-nos ver o que se encontra ao nosso redor, é a luz que torna possível a percepção visual. Sem ela o mundo não teria forma, não teria cores, não teria vida. A percepção concisa, do corpo, da terra, do espaço e do cosmos prove- niente de uma sensualidade de pendor realista, e que ultra- passa a própria realidade exterior, é a franca interpretação do estimulo do trabalho de Arturo Álvarez. Com as suas mãos molda afectos, contrariando a linearidade, concebe brilhos matizando tons, vela o contraste entre a luz e a sombra, e esboça uma realidade palpável e concreta idealizando ima- gens. Um exercício de monumentalidade através de formas perfeitamente metafísicas, pautadas pelo silêncio e pela luz, pela ordem e pelo tempo.

Iterações e identidades, séries de sinopses de opostos, ex- pressados em imagens sensoriais imediatas que advêm, ou provocam, emoção visual de luz e sombra – este é o sentido de “O alvorecer das conversas” de Arturo Álvarez.

No encontro das ordens clássicas da escultura, celebra o relevo da espiritualidade e da divindade numa forma antro- pomór ca, que orienta a sua obra para uma oratória de arte singular. Arturo declama versos de comoções em torno da vida numa cenogra a estética, onde os cânones da pintura se expressam através da admissão da luz, como se fosse um chiaroescuro, o sfumato no gradiente de fluxo lumino- so, a cangiante de tonalidades e a unione do timbre da cor.

“Devemos começar pelo imensurável, e no processo de produção passar ao mensurável” – Louis Kahn, 1962