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NÃO ACORDES O DRAGÃO
Mónica Mindelis


5.11 __ 5.12.2020

 

 

O antagonismo do instante, caminha com a narrativa exploratória da dualidade da vida na obra de Mónica Mindelis, sustentada em textos re exivos e literários de diferentes autores, e em particular, de Gaston Bachelard.

Existe uma relação dualista entre corpo e alma, e consequentemente a existência enquanto colectividade que nos conduz à re exão de Goethe sobre o “princípio da vida, que contém as possibilidades de, dos simples começos dos fenómenos, ascender à in nita e diversa multiplicidade”. É através de um “berço”, como símbolo de recolhimento do ser humano em que as emoções se debatem entre o estado de exibição e/ou de omissão, que Mónica nos posiciona no início desta série, “Não acordes o dragão”.

Uma malha de rá a costurada pela artista, num processo demorado e ritualístico de cerimonial religioso, em que o desenho resultante da passagem intuitiva da malha para o papel, aproxima Mónica Mindelis da forma metafórica do Fogo. As cores complementares e simbólicas de uma entidade, associada ao bem e ao mal, e que nos coloca perante a experiência de de nição de Beleza, sem acepções ou assimilações a princípios pré-estabelecidos, em que o fogo carrega a dualidade dos opostos que marcam o início e o m, e em que o m poderá vir a ser um novo início (Velum).

A correlação de que a transformação formal da matéria se produz por interferência do fogo, conduzindo a uma ascensão, relacionando a verticalidade ao dinamismo do movimento do espírito, como um impulso vital, de atitude, presença e de trajetória a percorrer.

“A chama puri cada, puri cante, clareia o sonhador duas vezes: pelos olhos e pela alma” Gaston Bachelard