NAVE galeria
(IN)TENSION
Showcase Susana Rocha


10.03 __ 23.04.2022

PHOTO Bruno Lopes

INTENSION

(en) properties inherent to a concept or word 

(pt) propriedades inerentes a um conceito ou palavra

 

INTENTION 

(en) something you plan to do 

(pt) algo que se planeia fazer

 

INTENSÃO

(pt) aumento de tensão 

(en) tension increase 

 

INTENÇÃO

(pt) propósito, intento ou vontade 

(en) purpose, intention or will

 

 

A formulação (IN)TENSION, que dá título a esta mostra de trabalhos, produzidos entre 2018 e 2022, existe no cruzamento de um jogo de palavras e seus desdobramentos linguísticos, preservando genericamente a noção basilar de uma tensão interna que ganha a forma de intenção.

 

Ao longo dos últimos anos tenho procurado, nas investigações formais inerentes ao meu trabalho, formulações mínimas para traduzir experiências profundas e significativas da condição humana e das suas implicações nas relações interpessoais. Nesse contexto, tensões – por vezes com origens contrastantes - têm-se apresentado como subjacentes (porém de importância central), a noções e realidades tão complexas como a morte, o fracasso, a ansiedade, o pressentimento, a pulsão, a disrupção, o paradoxo... Acredito ser uma característica transversal a qualquer artista a necessidade de identificar o conflito/intenção que o leva à produção da obra. Essa intenção, e tensão encerrada no artista, poderá variar ao longo do tempo, mas existe frequentemente uma linha condutora que cose todas as suas inquietações e que, com o passar do tempo, se torna mais percetível para si e para os outros – se não o for à partida – mesmo que refletida em distintas materializações.

 

O exercício retrospetivo da avaliação do desenrolar dessas mesmas “intensões” que se transformam em matéria, é o convite que subjaz a esta mostra; convite que me foi estendido pela Galeria NAVE e que escolhemos estender ao público.

 

Nas diferentes obras apresentadas, separadas por anos na sua produção, é possível identificar estratégias estéticas e motivações conceptuais relacionáveis que, sem encerrarem uma narrativa biográfica explicita, têm a sua origem em experiências pessoais que se desejam ecoadas. Não existiria assim um valor acrescido em proceder a uma decomposição demasiado racional de cada uma das obras que se apresentam pela primeira vez juntas no espaço da galeria. Mas talvez seja pertinente o desvendar de algumas anotações processuais relativas a cada uma das obras, deixando que cada observador estabeleça o seu percurso por elas, de modo individual.