PORTRAITS, Fábio Colaço

8.4__29.5.2021

Não é por mero acaso histórico, que a palavra pessoa designa uma máscara. O reconhecimento do facto de que toda a gente está sempre em toda a parte, com maior ou menor consciência, a representar um papel.… e os líderes que Fábio Colaço retrata em PORTRAITS, não são excepção. A omnipresença de um conjunto de representantes de diversos contextos sociais, culturais e políticos, emanam uma definição de atitude de líderes deste século, e que os elevam a um estatuto de cosmopolitização e iconoclastia.

 

Aqui, o artista, levanta uma questão: serão os atributos de carácter e comportamento que estas figuras conquistam na sociedade, que os estabelecem como referências, ou a simplicidade de um véu visual que verdadeiramente os distingue?!

É então que compreendemos que nos autoflagelamos como objectos sobre o olhar dos outros, e essa perspectiva faz-nos prisioneiros do mundo exterior, desencadeando uma sensação de embaraço similar ao ato de espreitar pelo buraco da fechadura, e ser surpreendido.

 

Se o retrato é um assunto sério - pois é uma analogia da apresentação do eu ao mundo real e mediador entre a arte e a vida social, que tenciona ser a validação do elogio do individuo ao olhar publico - é neste ponto que o artista apresenta um jogo de ambiguidades visuais que nos força o olhar e avalia o referencial do espectador. Imagens vistas através de um ecrã desfocante, que parecem ir entrando aos poucos num processo de desmaterialização, contra qualquer naturismo, isto é, um espaço em que todo o acontecimento dá lugar a um espaço potencial, o retrato de um líder, ou do que julgamos que possa ser um líder, pois entre os 30 retratos, o artista brinda-nos com a ironia de figuras fictícias imaginadas por ele. 

 

 

 

"na arte, tanto na pintura como na música, não se trata de reproduzir ou inventar formas, mas de captar forças.”

Francis Bacon - Lógica da sensação, Gilles Deleuze 1981