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A DREAM BROUGHT ME HERE
exposição colectiva

Francisco Correia
João Motta Guedes
José Taborda

Memória Artística Chema Alvargonzalez

GLOGAUAIR
Glogauer Str. 16
10999 Berlim (DE)
15.06 __ 29.06.2024

 

Há uma lentidão poética na história pontuada por imagens de cores fortes e de inebriantes tons de preto. Talvez porque o ser humano tem em si um espaço aéreo que procura a perceção e a descoberta da luta entre a perfeição e o transitório, e essa exploração infinda de satisfação, coabita no sonho. Esse campo imaginário que projecta imagens e sons e também cargas emocionais. É talvez no etéreo - como traçado cénico do sonho, que delineamos uma incomensurável extensão de ideais e ideologias onde temos uma voz e uma função num fórum, repleto de idealistas benévolos que olham pela sociedade, capazes de escutar, formular e até confortar. O olhar é um acto de escolha, só vemos aquilo para que olhamos – como escreveu John Berger em “Modos de Ver”, e essa predileção tende a não alcançar a aprovação generalizada de uma comunidade, acontece em qualquer cultura ou actividade seja ela artística, jurídica, social ou política.

É nesta ambiguidade da sociedade entre a consciência da avidez e a anuência, que prossegue a poética da história, e que duas cidades europeias: Lisboa geograficamente periférica e a outra central, Berlim - que embora tenham um hiato temporal entre dois momentos de enorme força sociopolítica histórica, partilham de uma motivação construída no mesmo espaço e imaterialidade, o sonho.

Na exposição A DREAM BROUGHT ME HERE serão apresentados trabalhos em diversos médiuns de artistas portugueses (com ligação profissional a ambas cidades) sobre a poética do sonho e do olhar como acto de escolha, partilhando no espaço expositivo com a obra do artista espanhol conceptual e multimédia Chema Alvargonzalez que presenciou a mudança histórica de 1989 em Berlim registando-a em fotografias únicas e de grande carga emotiva presentes na exposição. Os artistas em exposição numa das cidades de maior projecção artística reforça a celebração dos 50 Anos do princípio da liberdade democrática conquistada pelo 25 de Abril e aqui transporta para o campo das Artes. A experiência das equipas técnicas da NAVE no planeamento, organização e logística de diversas exposições internacionais além do apoio das equipas da Memória Artística em Barcelona e Berlim irão promover a exposição de forma única e invulgar garantindo o acesso a novos públicos que desconhecem em pormenor o facto histórico de Portugal permitindo em simultâneo, conhecer uma parte da nova geração de artistas visuais portugueses contemporâneos.

 

"Outside, the last swallow stayed until later."

Yannis Ritsos

 

“The doors had closed, and the only beauty that remained was the grey beauty of the steel that withstands time.

Even the fragrance that could have been felt was left behind, in the land of illusions, of youth, of the fullness of life, where their winter dreams had flourished.”

Francis Scott Fitzgerald in Winter Dreams

 

 

Grande parte do fascínio do sonho reside na sua própria contradição. O investimento de determinação filosófica e poética para a sua formalização e posteriormente a energia material e anímica para o alcance do propósito. Mas será que quando chegamos a esse momento o sonho se materializa ou inconscientemente reformulamos o desafio para que nunca estejamos livres do estado inebriante fantasioso.

 

Se o sonho é uma viagem (por vezes utópica), que nos transporta num êxtase que suplanta a fruição dos sentidos, é com frequência a visão que nutre a nossa imaginação com as imagens e referências de consumo fugaz que nos encaminham para uma infinitude. A ilusão é um meio catalisador na Vida porque sem ela o ser humano não seria capaz de questionar-se sobre o que o rodeia nem sair do seu lugar comum. Se examinarmos a antropologia social, o individuo tem sido o instrumento para as maiores mudanças sociopolíticas e económicas da História que tiveram como ponto de partida um conjunto de ideologias exortadas na sua génese pelo sonho, palavra por definição poetizada e pura.

 

Em A DREAM BROUGHT ME HERE, projecto que os três artistas portugueses desenvolveram especificamente para a exposição colectiva no Project Space da GlogauAir, as obras instalativas abordam a imaterialidade e a percepção do sonho em dois momentos temporais: passado e futuro.

Se é no passado que o sonho se projecta e organiza como cápsula de memória, é também no futuro onde perdura e se modela em afinidade à imaginação inconsciente que o ajusta e carrega com as suas gavinhas irredutíveis pelo tempo, até à sua casual concretização. Mas a maior incorporalidade do sonho é irrefutável: a sua liberdade.

 

Nas três salas expositivas, os artistas apresentam instalações em diálogo com obras do artista Chema Alvargonzalez, que exaltam o sentimento de sonho recorrendo a poderosos médiuns de fruição sensorial.

As instalações – individualmente reflexo da linguagem dos artistas, mas também dum pensamento colectivo, exaltam nesta exposição a importância do pensamento endereçado pelo sonho e que pauta um denominador comum histórico de liberdade que une duas cidades: Lisboa e Berlim.

 

Mercedes Cerón

junho 2024

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Short Bio Francisco Correia

 

Francisco Correia (n. 1996 Lisboa, Portugal) Vive e trabalha em Bruxelas, Bélgica. Licenciado em Pintura na Faculdade de Belas Artes de Lisboa e com Pós-Graduação em Curadoria na FCSH Universidade Nova de Lisboa. Concluiu o Mestrado em Belas Artes na LUCA School of Arts em Bruxelas, e no mesmo ano (2022) foi-lhe atribuído o “Cas-co Bac Art Award” (BE), que lhe atribuiu a residência “Off the Grid” na Cas-Co, Leuven (BE) em 2023. Além da sua prática artística, é também co-fundador do coletivo “aDrogaria” que desde 2021 e em 2019 realizou a residência CEAC, com o apoio da Fundação EDP em Vila Nova da Barquinha (PT), em 2023 recebeu o prémio “Impacta” do Município de Guimarães para projetos de criação artística (PT). Escreve regularmente sobre e para exposições e manteve uma colaboração regular na edição impressa da revista UMBIGO Magazine durante diversos anos. Desde 2017, que participa em exposições colectivas em Portugal e na Bélgica. A sua primeira exposição individual foi na Galeria NAVE “Midlife Crisis” e em 2024 irá participar em Berlim na colectiva “A Dream Brought Me Here” em junho e em setembro a sua individual durante o Berlin Art Week, ambas exposições promovidas pela Galeria NAVE.

 

O trabalho de Francisco Correia, tem um gosto particular por realçar o absurdo dos sistemas invisíveis que agenciam a vida quotidiana na sociedade atual. O emprego, a economia e a extinção (tanto individual como colectiva) são muitas vezes levados para o domínio da fantasia, a fim de criar narrativas que operam na fronteira entre a realidade e a ficção. Estas ideias estão sobretudo ligadas a um enfoque na narração de histórias e na auto- ficção. Tanto um texto como uma exposição são guiados por narrativas que moldam as suas personagens e o ambiente em que elas se inserem. Em diferentes corpos de trabalho, a narrativa é desenvolvida tendo em conta as especificidades do contexto e da arquitetura em que são apresentados. Este é um ponto-chave da sua prática: ver a criação de exposições como uma narrativa. Por outras palavras, o seu objetivo é criar pequenos mundos que, através de objectos e textos, transportem o público através de narrativas fictícias que reflictam sobre a condição humana contemporânea.

 

 

Short Bio João Motta Guedes

João Motta Guedes (n. 1995 Lisboa, Portugal) Vive e trabalha em Lisboa, Portugal. Inicia o seu percurso académico com a Licenciatura em Direito na Universidade de Letras de Lisboa (PT), participou no programa de intercâmbio de estudos Pontifícia Universidade Católica no Rio de Janeiro (BR), e realizou o Mestrado Internacional e Europeu em Direito pela Universidade NOVA de Direito em Lisboa, (PT). Em 2019 decide definitivamente empreender pelo seu pensamento e conceitos artísticos mais profundos, que sempre caminham lado a lado através das palavras e da poesia ao longo dos anos, terminando o Mestrado em Pintura pela Universidade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (PT). A sua primeira exposição individual foi “How to Live?” uma instalação na Galeria NAVE e recentemente na Galeria Municipal da Boavista “No feeling is final”, ambas em Lisboa (PT). Entre outras participou em diversas exposições colectivas tais como o “Prémio Arte Jovem 2023”, “Gémeos falsos” na Appleton Square, “O jardim dos caminhos que se bifurcam” no Buraco, “Wanderlust” no Artes Mota Galiza no Porto e “(0 /1) o zero e o um" no Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUNHAC) em Lisboa, ambas promovidas pela Galeria NAVE.

 

Motta Guedes explora conceitos de liberdade, vulnerabilidade, amor e violência. As suas produções artísticas refletem a vida como metáfora de uma viagem onde emergem diferentes caminhos, permitindo a descoberta e partilha de experiências sobre o significado de sentir e de ser humano. A sua linguagem artística surge em suportes como a instalação, a escultura, a fotografia, o desenho, a palavra escrita e a poesia, e tem um carácter predominantemente projectual e experimentalista. Com base num discurso e em narrativas poéticas, procura questionar o caminho a seguir através de expressões oníricas que elevam o observador a um olhar utópico sobre a sociedade e a vida, resultando num registo abrangente de imagens simbólicas e metafóricas que realçam a poesia como resposta às questões formuladas. questões.

 

 

Short Bio José Taborda (artista convidado)

 

José Taborda (n. 1994 Lisboa, Portugal) Vive e trabalha entre Lisboa, Berlim e Nova Iorque. Formou-se em Pintura pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa e ingressou o curso de Belas Artes da BAUHAUS-Universität em Weimar. Taborda participou na 71ª edição da Jeune Creátion na Fondation Fiminco (Paris); Festival Internacional de Videoarte FUSO no Museu MAAT (Lisboa); Novos Começos, Revista VOGUE; WIMBA, Steneby Konsthal (Suécia), etc. Participando também em múltiplos projetos como Bienal da Maia (Maia); MINA no Museu Nacional de História Natural e Ciência; Edição do 100º aniversário da Bauhaus (Berlim); Observatório Paralaxe (Porto); Festival Gerador entre outros. Taborda expõe regularmente em Portugal e no estrangeiro, tendo anteriormente realizado exposições individuais: Augenblick, Eigenheim Weimar(2023); Cada vez mais rápido, Nova York (2023); Wing Walking, Galeria Eigenheim, Berlim (2021); 149.597.870 KM em 7 etapas, Galeria Ocua (2021); Elástico, Zaratan, Lisboa (2019); Polpa, Galeria Graça Brandão (2018); NOTLÜGEN, Weimar (2017). As exposições coletivas selecionadas incluem; Palmen aus Plastik, Erfurt Kunstmuseum, Alemanha (2023); Prémios FBAUL (2022); Parce qu'on sème, Le 47, Vézelay, França (2022); O Fenômeno, Galeria do Sol, Porto (2022); Fénix, Galeria Graça Brandão (2022); Rastreando o Infrafino, Galeria de Monitores (2022); Depois do Banquete, Teatro Thalia (2022); Apofenia, Culturgest, Porto (2021); Aquisições recentes da Coleção Norlinda e José Lima, Centro de Arte Oliva, São João da Madeira (2020); Do Laboratório ao Estúdio - neue Technologien und Materialien in der Kunst, Eigenheim Weimar (2019); Vou arriscar, Azan Studio, Marvila (2019); MATEREALITÄT, Galeria Waidspeicher, Erfurt (2018) entre outros.

 

José Taborda desafia a credibilidade e a plasticidade da percepção, cognição e memória através de médiuns multidisciplinares. Utiliza instalações imersivas ou interativas para expandir noções pré-concebidas sobre o sistema sensorial. Através de constantes pesquisas e experimentações em diferentes áreas como a mecânica, óptica, sonora, neurociência e a biologia, Taborda consegue materializar seus trabalhos numa ampla gama de soluções técnicas e materiais sem limitações físicas.

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